17/10/2013 15h12 – Atualizado em 17/10/2013 17h08

CB 500 vira ‘ponte’ estratégica na Honda para modelos mais caros

Modelo cria degrau entre motos mais premium da líder e a linha popular.
Roberto Agresti aponta as mudanças principais sobre o modelo antigo.

Honda CB 500 (Foto: Caio Kenji/G1)

‘Família’ CB 500 foi o principal lançamento
da Honda no Salão Duas Rodas 2013
(Foto: Caio Kenji/G1)

Quem visitou o recém-encerrado Salão  Duas Rodas não deixou de notar o que comentamos na semana passada, ou seja, a boa quantidade de lançamentos e novidades visando um público de elevado poder aquisitivo.

Para quem não depende de um salário mirrado, a mostra da capital paulista trouxe um amplo leque de opções, evidenciando que as marcas “premium” estão tentando compensar a crise na Europa com o boom do segmento no (ainda) emergente Brasil. Aqui, artigos de luxo como motos de alto valor, vêm aumentando cada vez mais sua participação no bolo das vendas.

Mande dúvidas sobre motos no espaço de comentários; as selecionadas serão respondidas em colunas futuras.

Contudo, o salão não serviu de palco apenas para modelos de sonho, e um exemplo dos mais relevantes foi a principal estrela do estande da Honda, o maior fabricante mundial e líder nas vendas no Brasil desde sempre.

A aposta da empresa para cativar uma nova fatia de público tem preço sugerido de R$ 22 mil, é montada em Manaus e tem um nome que remete ao passado, CB 500, já que versão anterior já frequentou as concessionárias da marca no Brasil, de 1997 a 2005, quando deu lugar à bem mais poderosa Honda CB 600F Hornet.

Honda CB 600F Hornet (Foto: Divulgação)Primeira geração da Hornet no Brasil
(Foto: Divulgação)

Na ocasião do lançamento, a Hornet encantou o público com seu poderoso motor de 4 cilindros em linha com o dobro da potência em relação à bicilíndrica CB 500 mas… o preço nada cativante logo fez ver que CB 500 e CB 600, apesar da semelhança dos nomes, serviam a públicos bem distintos.

Passada quase uma década, a necessidade por produtos que conciliem custo de aquisição acessível com manutenção reduzida levou a Honda a repropor uma CB 500.

É pura ‘maquiagem’?
O leitor pode perguntar se é a mesma motocicleta. Sim e não. O nome e a arquitetura de um modo geral – motor bicilindro paralelo, peso e potência semelhantes – levariam aos mais apressados a pensar na palavra “maquiagem”, muito aplicada a lançamentos da indústria automobilística, nos quais a aparência muda, mas o conteúdo permanece o mesmo. No entanto, como seria de se esperar, uma razoável evolução tecnológica separa as CB 500 dos anos 1990 destas do século 21. Parte desta diferença ajuda ao usuário, enquanto outra parte, claro, ao fabricante.

Lançar 3 modelos com uma mesma base mecânica promove economia e facilita processos industriais

As novas Honda CB 500 formarão uma família com 3 modelos se valendo de uma mesma base mecânica. Tal prática (comum no âmbito da indústria do automóvel) promove evidente economia de escala e facilita processos industriais. Todavia, o que nasceu sob o signo da economia não resultou em simplificação, e os 3 modelos resultantes miram atingir consumidores bem distintos.

A CB 500F, a primeira a chegar às concessionárias, ainda neste mês, é a mais básica das três. Pode ser considerada a que mais se assemelha à antiga CB 500, pois trata-se de uma estradeira com mecânica bem visível – naked – e sem grandes frescuras.

Já modelo seguinte, previsto para janeiro de 2014, a CBR 500R, deixa claro sua índole esportiva ao menos na aparência, fazendo jus ao “R” de Racing aplicado ao nome. Dotada de carenagem completa, servirá de isca a usuários mais esportivos.

A terceira delas é a CB 500X, e a adoção da letra “X” não é fruto do acaso, pois trata-se da “crossover” da linhagem, teoricamente a mais apta a enfrentar estradas de todo tipo por conta de uma posição de pilotagem ereta e suspensões de curso majorado. Para ela a marca prevê maior procura, derradeira a chegar às revendas, ainda no 1ª semestre de 2014. Preços para estas duas últimas? Não devem ir além dos R$ 26 mil.

Tecnologia empregada nestes modelos é um trunfo; motores de nova geração permitem intervalos de manutenção mais espaçados

O que muda para o consumidor
Para o cliente, a tecnologia empregada nestes modelos é um trunfo, e não basta apenas considerar que a suspensão traseira não mais se vale de anacrônicos conjuntos de mola e amortecedor duplos, mas sim do mais moderno sistema de monoamortecimento progressivo.

Há bem mais do que isso, com o par de carburadores da velha CB 500 dando lugar ao mais contemporâneo sistema de injeção eletrônica, aliado obrigatório na contenção de emissões de gases nocivos no meio ambiente e promotor de índices de consumo menores.

Freios com sistema ABS são outro item – opcional – que não beneficiava a antecessora. E se tudo isso nada importar ao futuro candidato a dono de uma dessas três motos, talvez o fato destes motores de nova geração permitirem intervalos de manutenção mais espaçados possa ser válido chamariz.

Com a CB 500, montadora cria  degrau que faltava sobre sua
pouco glamurosa linha de utilitárias monocilíndricas

O que a Honda ganha com isso
Ao lançar de uma só vez 3 motocicletas em uma mesma faixa no Brasil, o principal fabricante do segmento evidencia a necessidade de qualificar sua linha e atender a um cliente cada vez mais maduro, que tem muitas opções da aguerrida concorrência.

Por meio de uma motocicleta versátil, com custo de exercício abordável a preço comparável ao dos carros 0 km mais simples, a montadora cria o degrau que faltava sobre sua pouco glamurosa linha de utilitárias monocilíndricas, que vai das motonetas Biz 100 até a Falcon de 400 cc, estabelecendo a ponte para suas máquinas mais poderosas, das quais a novidade, CB 500, não se diferencia muito quanto ao visual.

Habituada a enfileirar sucessos, a empresa parece bem posicionada para festejar, com estas novidades, mais uma boa tacada no nosso mercado.

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