ANDAMOS NO NOVO FOCUS. VEJA MAIS DETALHES

Publicado em 27-09-13 às 19h52 por Car and Driver COMENTE!

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Terceira geração é marcada pela sofisticação, mas fica devendo mais espaço

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Por Carlos Guimarães, de Mendoza (Argentina) // Fotos: Divulgação

Depois de quase três dias de espera, finalmente conseguimos dirigir o novo FordFocus nos arredores de Mendoza (Argentina). Mas a única configuração disponível para as primeiras impressões tinha motor 2.0 apenas a gasolina (não flex) e câmbio sequencial Powershift de seis marchas. Mesmo assim, resolvemos publicar o que achamos do carro num primeiro momento, além de um pouco mais de detalhes sobre a novidade que começa a chegar às lojas no Brasil a partir da semana que vem. No cômputo geral,  o veredicto é positivo,  mas em alguns aspectos o carro acabou não atendendo totalmente às expectativas.

Tivemos que provar apenas a versão topo de linha, com todos os equipamentos, que na versão sedã chega para concorrer com as versões mais caras deHonda CivicToyota CorollaChevrolet Cruze e companhia. No caso do sedã, incluindo todos os pacotes de opcionais disponíveis, o preço chega nos R$ 89.990 e R$ 87.990 no hatch. Por esses valores, você tem direito, a itens como sistema multimídia Sync 2, com tela sensível ao toque, de 8 polegadas no painel, com GPS, comando por voz, som da Sony com 9 alto-falantes, faróis com lâmpadas de xenônio, luz diurna com LEDs, teto solar elétrico, sistema de estacionamento automático, banco do motorista com regulagem elétrica, entre outros.

Equipado até os dentes, assumo o comando da versão sedã e noto logo de cara que o volante é um pouco maior que o normal, principalmente para um carro com certo apelo esportivo. Mas vem revestido de couro de boa qualidade. Engato o câmbio na posição S e acelero. O giro do motor 2.0 Duratec Direct Flex sobe rápido. E logo estamos a 120 km/h. A essa velocidade, em sexta, o ponteiro azul claro do contagiros fica um pouco acima dos 2.500 rpm, contribuíndo com um rodar confortável e silencioso. Aliás, de acordo com a Ford, a acústica interna do novo Focus está 20% melhor que o anterior. De fato, o silêncio a bordo impressiona, mesmo em velocidades um pouco mais altas.

focusO que também causou boa impressão foi a melhor rigidez torcional, que ficou 50% maior nessa terceira geração em relação à anterior. Mesmo passando por buracos, não notamos batidas secas, rangidos e falta de estabilidade nas curvas. Pelo contrário, a suspensão multilink nas quatro rodas fez um bom trabalho, absorvendo bem as irregularidades do piso e transmitindo segurança. Entre outras mudanças, a barra estabilizadora passou a ser oca, o que a deixou 2 kg mais leve diminuindo o chamado peso suspenso, o que ajuda no comportamento dinâmico.

O volante grande causa certa estranheza e o sistema de direção elétrica vem com recursos sofisticados, difíceis de serem encontrados em modelos médios, como a compensação de até 60 graus de balanceamento, evitando ao máximo vibrações. Chega ao ponto ser sensível até aos ventos laterais e pode dimunuir o consumo em até 3%, segundo a Ford. Na prática, o resultado é bom. Mas, para os puristas, uma dose um pouco menor de anestesia seria bem-vinda, o que ajudaria a transmitir ao volante o que acontece entre os pneus e o chão. Os freios também funcionam bem, com discos nas quatro rodas que funciona junto com os controles de estabilidade e tração. Segundo a Ford, o Focus Sedan 2.0 Powershift atinge 206 km/h e acelera de 0 a 100 km/h em 9,6 segundos.

focusInfelizmente, não havia a versão 2.0 flex disponível para avaliação nesse primeiro momento. Mas explicaram alguns detalhes desse motor 2.0 Duratec  Direct Flex, o primeiro flex com injeção direta no mundo e que dispensa sistema de partida a frio. De acordo com a Ford,com etanol, na partida, mesmo em baixas temperaturas (até 10º negativos), o motor gira um ou dois ciclos apenas para aquecer a câmara de combustão e receber a injeção de combustível a 150 bar de pressão. Ok, existem alguns pontos discutíveis. Um deles é que, apesar da fabricante dizer que 88% do torque máximo ser atingido a 2.700 rpm, é preciso acelerar para aparecer todo fôlego disponível (22,5 kgfm a 4.500 rpm). Outro é o consumo, que poderia ser menor pelo potencial do motor. No sedã 2.0 Powershift, a Ford diz que o carro faz 6,6 km/l na cidade e 8,6 km/l na estrada com etanol, números que passam para 9,6 km/l e 12,6 km/l com gasolina, respectivamente.

O espaço interno também poderia ser melhor. Dependendo da altura do motorista, o passageiro que estiver atrás dele pode sofrer bastante. Acima de 1,80 metro, apenas uma criança pequena não ficaria desconfortável. O espaço para as pernas poderia ser maior. E o túnel central da estrutura do monobloco também acaba atrapalhando na acomodação de quem for sentado no centro do banco traseiro. No porta-malas, vão apenas razoáveis 421 litros no sedã e medianos 316 litros no hatch. Mas o carro tem bons atributos para agitar o segmento de médios, que acaba de receber o novo Golf.Se quiser saber como o novo Focus se saiu diante do rival da Volkswagen, corra para a banca mais próxima e leia o comparativo exclusivo na Car and Driver nº 70.

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